sexta-feira, setembro 19, 2008

Dan Tech e seu colchão da NASA.


Daniel sempre foi meio Professor Pardal. Desde pequeno o cara era aficcionado por tecnologia, fato que lhe rendeu o apelido de Dan Tech. Enquanto todo mundo tinha um iô-iô peba da Coca-Cola, Dan Tech se divertia com um de pilha que acendia luzes. Enquanto todo mundo tinha um Pogobol, Dan Tech tinha uma engenhoca de molas que pulava o triplo da altura que nosso simples brinquedo alcançava. Dan Tech era aquele pentelho que sabia consertar qualquer coisa. Desmontava aparelhos, os remontava, sobravam parafusos e ainda assim tudo funcionava no final. Você consegue imaginar uma criança de 10 anos fascinada por uma Centrífuga Wallita? Esse era o menino Dan Tech. Hoje Daniel é engenheiro de áudio e ganha a vida mexendo em mesas de som mais complexas que qualquer painel de avião.

Mas, ainda na nossa infância, Daniel um dia interfonou para meu apartamento eufórico:

- Pedro, suba aqui, velho! Minha mãe comprou um colchão desenvolvido pela Nasa.

O máximo de tecnologia que eu curtia era meu Master System. Qual seria a graça de um colchão?

- Tá bom, Daniel, tô indo aí... – falei com o entusiasmo de uma criança num aniversário de 80 anos.

Peguei o elevador e cheguei na casa de Dan. Sorte dele que morávamos no mesmo prédio. Não daria mais 5 passos do que já tinha dado para ver um colchão tecnológico. Ele me aguardava ansiosamente na porta. Fomos até o quarto de sua mãe. Diante da cama, ele puxou de vez o lençol como quem descortina uma placa de inauguração. Seus olhos transbordavam orgulho. Pra mim parecia um colchão normal. Antes de eu verbalizar isso, Daniel começou sua explicação com ar de professor do Massachusetts Institute of Technology:

- Dentro dessas fibras mais pontiagudas, existem esferas magnetizadas que reenergizam o corpo humano.

Aquilo teria vindo da Nasa ou de um terreiro de candomblé? Não quis perguntar pra não estragar o grande momento do cara.

- Está comprovado cientificamente que cada hora dormida nesse colchão equivale a 8 horas de sono em um colchão normal. – disse Dan realmente convencido da bobagem que estava falando.

- Deite aí e me diga se você não se sente mais descansado. – insistiu Daniel.

Por alguns instantes achei que Daniel tinha virado viado. Conversa estranha de deitar na cama pra ver se eu me sentia mais descansado. Mas não. O cara realmente queria me convencer de que aquele absurdo era verdade. Deitei.

- Porra Daniel, tem prego nessa cama é? – imediatamente eu já estava de pé de novo.

A sensação era de estar deitado em uma cama de faquir. Mais dez segundos deitado no colchão e as tais esferas magnetizadas teriam perfurado as minhas costas. Daniel me olhou com desdém, fez um sinal pedindo licença e deitou na cama. Fechou os olhos por cerca de um minuto. Uma verdadeira eternidade.

- Daniel, que diabo você tá fazendo? – perguntei já de saco cheio, provavelmente lembrando que estava perdendo um capítulo de Carrossel.

- Shhhhhhh! – retrucou Dan Tech sem abrir os olhos.

Mais alguns segundos e, de repente, Daniel deu um pulo da cama, aliás, quase um salto ornamental e caiu em minha frente dizendo:

- Bicho... parece que dormi por 2 horas! Incrível, tô novo.

Fui pra casa imaginando como devia ser chato pros pais de Dan Tech passarem a madrugada inteira acordados. Provavelmente assistiam Corujão, Sessão de Gala e Telecurso 2º Grau durante as horas de sono que o colchão roubava de suas noites.

1 comentário:

Rueda disse...

Porra pedrao! auhhuauhauhauha

se tinah q ter contado essas paradas qndo ele ia na agencia! auhhuauhahuahuahua

pqp!

abraçooooo