quarta-feira, outubro 01, 2008

O misterioso e delinqüente vomitador de banheiro.


Uma grande amiga um dia me perguntou se por acaso eu conhecia alguém legal para apresentá-la. Sabe como é: tem certas mulheres que ficam, digamos assim, ansiosas, quando começam a beliscar os 30. E esse era um caso clássico.

Respondi a ela que sim, eu podia ajudá-la, dois amigos meus que gosto muito também estavam solteiros. Não no desespero, mas estavam solteiros. Dois bons partidos, assim sempre os julguei. Irei chamá-los pelos nomes fictícios de Lúcio e Fernando.

Marquei de sairmos. Como sou um cara prático, chamei logo os dois para que Marta tivesse opção de escolha. Fomos eu, Luciana (minha namorada na época), Lúcio, Fernando e a minha amiga para um barzinho da moda. Mas antes passamos para buscá-la em casa. Quando Marta apareceu, uma surpresa: havia se produzido tanto que eu quase volto pra colocar um blazer. Sério, parecia que ela estava indo a um casamento. Coisas do subconsciente.

Marta entrou no carro, jogou o cabelo pro lado e soltou um rouco e sexy “oi”. Apresentei os caras, prazer pra lá, prazer pra cá e seguimos. Aquele clima meio estranho, todo mundo sabendo o que cada um estava fazendo ali, mesmo assim disfarçavam conversando amenidades entre sorrisos amarelos.

Chegamos ao nosso destino. Era um barzinho mexicano, um lugar bem bacana. Sentamos e pedimos bebidas. Água tônica pra mim, refrigerante pra Luciana, caipiroska pra Marta, cerveja pra Fernando e whisky pra Lúcio. Os mal-intencionados foram direto para o álcool. Conversa vai, conversa vem. O que gosta de fazer? Se formou em que? Pra onde costuma sair? E tome conversa mole. Mais um whisky pra Lúcio. Relembrei algumas histórias engraçadas da época em que eu e Marta estudávamos no Colégio São Paulo. Lúcio pediu mais um whisky. Pedimos tacos e nachos e comentamos como aquele bar era legal. E Lúcio, curiosamente, pediu mais uma dose de malte escocês. Dessa vez, dose dupla.

Lúcio merece um parágrafo. Grande amigo de infância, cara de inteligência refinada, porém introspectivo e bastante econômico com as palavras. Sabe-se lá porque ele resolveu beber tanto naquela noite. Talvez não tivesse interessado-se por Marta. Ou, justamente, talvez tivesse. O fato é que o rapaz acabou chapando a cara com 8 doses de whisky.

Enquanto conversávamos, Lúcio levantou e começou a socializar com o bar inteiro. Ia de mesa em mesa, falando com quem não conhecia. Vi nos olhos de Marta a estranheza diante da mudança de comportamento do tímido rapaz. Então, preocupado, passei a prestar mais atenção em Lúcio. Ele sumia e aparecia, sumia e aparecia. De repente, sumiu de vez. Discretamente, dividi com Fernando minha preocupação. Foi nessa hora que, subitamente, Lúcio apareceu e veio a passos rápidos e semblante sério em direção à nossa mesa. Impossível não notar a grande rajada molhada em forma de gravata na sua camisa.

- Rápido, Fernando, venha comigo! – disse Lúcio em tom sério.

Fernando, sem querer levantar da mesa e levando em consideração o estado etílico do nosso amigo, ponderou:

- O que foi, rapaz?

- Levante, rápido! Tinha um cara escondido no banheiro com a mão na boca, só esperando alguém entrar. Eu entrei e ele vomitou tudo em cima de mim e depois saiu correndo, o covarde. Vamos pegar ele! – bradou Lúcio, indignado.

Solidário, Fernando levantou e os dois correram em direção ao banheiro.

- Que situação chata... – comentou Marta discretamente.

Enquanto os dois iam atrás do elemento, um garçom aproximou-se da nossa mesa:

- Com licença, esse senhor que estava andando por aqui está com vocês?

- Sim, o que houve? – respondeu Luciana preocupada.

- É o seguinte: agora há pouco ele estava ali no meio do bar olhando fixamente para o teto. De repente, abriu os braços e vomitou para o alto. O vômito voltou todo em cima dele e ele saiu correndo para o banheiro. – disse o garçom, no mínimo, constrangido.

Ao ouvir o relato e ver o olhar assombrado de Marta, ela vestida como se de fato fosse conhecer o homem da sua vida, ri fartamente. Marta não riu.

Lúcio e Fernando voltaram para a mesa. Provocativa, Luciana perguntou:

- Acharam o cara?

- Acho que não tinha ninguém... – diminuindo o tom de voz, disse Fernando ofegante e completamente suado.

- Covarde! Vomitou em mim e saiu correndo... – praguejou Lúcio, sentando em seguida na mesa com sua gravata de vômito.

Ficamos na mesa tentando fazer o retrato falado do meliante. E rimos muito das fantasiosas características que Lúcio nos deu e de sua fabulosa imaginação.

Marta não sorriu um só minuto. Muito menos encontrou o homem que seria o pai de seus filhos. Mas, sem dúvida, aquela foi uma noite que muito lhe fizera bem. Ao tirar sua roupa de gala e colocar a cabeça no travesseiro, minha amiga deve ter pensado que estar solteira nem chega a ser algo tão ruim assim.

16 comentários:

Gabriel disse...

to imaginando lucio de braços abertos vomitando pra cima... uehuehuehuehueh

Anónimo disse...

Pedro, por favor, cuidado para não comprometer Lúcio. Sua família é muito tradicional no hall da alta sociedade. Isso pode manchar a imagem construída ao longo de séculos da família libanesa que se instalou na Bahia.
Att. Um amigo de vcs dois.

Roberta disse...

hahahahahahahhaahhahaaa
Peu, tô vendo o cara muito doido de bralos abertos olhando pra cima... que cena hilária!!! hahahahahahahaha
Coitado...

Dani disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dani disse...

depois dessa Marta nunca mais te ligou, né!? Pq com um amigo desses... hehehe

Mari Cassis disse...

Gente, o Lúcio não é tão ruim assim , só um pouquinho "sem noção"!!!
Conheço ele , né?
rsrsrsrs...Beijos

Pedro disse...

A pedidos de Maricota, vou começar a responder por aqui os comentários.

Gabriel, Roberta e Dani: pior foi no dia seguinte. Liguei pra ele e o dito atende na maior ressaca. Falei: - você sabe que ninguém te vomitou ontem, né?

Ele respondeu: - é, eu sei...

Ressaca etílica e moral.

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Brunônimo: esses libaneses são verdadeiros terroristas do amor.

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Mari: esse sobrenome Cassis não me é estranho... eu tenho guardadas mais umas 4 histórias de Lúcio. Ao longo do blog elas aparecerão!

bjo.

Anónimo disse...

Puta que pariu...hahahahahahahahahahahahahahahahahahaha

Paula disse...

Pôxa, a Marta não podia levar na brincadeira? Tudo bem, vômito é o fim, mas, ele se saiu super bem!

beijos

Viviane disse...

Eu, Claudinha e uma renca de mulher tudo se acabando de rir, numa mesa de bar, dessa história com esse tal de Lúcio. Pense! Suponho que ele seja o autor da minha primeira consulta jurídica, não é? A questão do tapa? Tenho certeza! Bjs.

Pedro disse...

Anônimo: vou considerar o PQP um elogio. Valeu!

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Paula: você não está entendendo. Marta queria um noivo, não um pintor de teto. Mas concordo com você, Lúcio se saiu bem. Ele é inteligente, hábil. Quer conhecer, Paulinha?

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Vivz: Lúcio vai gostar de saber que virou assunto em uma mesa de bar só de mulheres. Mas você se enganou, não é o rapaz dos tapas. Uma dica: você conheceu ele.
bjo!

Luciana disse...

Nao lembrava dos detalhes...historia sensacional, ainda dou muita risada quando lembro de "Lucio" falando "Covarde..."

"Ja morreu", "ja morreu", ai ai...

Beijo!

mila disse...

[adorei a parte de marta e o subconsciente, hahaha! pq essas armações que a gente inventa quae nunca dão certo? rs]

Fábio disse...

Mas que cara-de-pau!

Como é que consegue? Heheheh

Pedro disse...

Lu: você estava presente, dê seu testemunho de que foi verdade. Ninguém acredita em mim.

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Mila: pois é, desisti de ser cupido.

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Fábio: Lúcio consegue muito mais. Aguarde novas histórias do mancebo.

Dedinhos Nervosos disse...

AHHAHAHAAHHAHAHAAHAHHAHAHAHAHAH
Vc não está entendendo! Eu gargalhei tão alto que minha vó veio aqui saber do que se tratava!

Cara, não acredito que a Marta não riu! Tudo bem que ela não queria um pintor de teto, mas uma situação assim não dá pra não entrar na farra e achar graça, né? Meio mal humorada ela. Poderia ter virado amiga.

Bjos!