sábado, outubro 18, 2008

A natação. (desta vez, numa piscina convencional).


Um dia desses, Daniela, minha sobrinha, e Raphael, namorado dela, conseguiram me convencer a fazer natação com eles. De aniversário, ganhei de meu sócio uma toca e óculos, os dois regalos cheios de não-me-toque, com alça de silicone, lente que não embaça, marca olímpica, enfim, um monte de firula. Talvez Danilo esperasse que eu virasse atleta, quebrasse recordes e deixasse a agência só pra ele.

Chegando na academia, uma surpresa: a piscina era quase do tamanho do tanque de lavar roupa lá de casa. Umas quatro raias dividiam o minúsculo espaço aquático. Fui apresentado ao professor que prontamente indicou as raias de cada aluno. Claro, tinha mais gente do que raia. Portanto, era necessário partilhar. Raia 1: Dani e Rapha. Raia 2: um senhor com barriga e bigode indisfarçáveis, parecido com Mário Bros e uma garota rechonchuda. Raia 3: um garoto magro, a cara da fome e um outro sujeito normal. Raia 4: eu e Seu Porfílio.

Seu Porfílio, um senhor negro, magro, curvado pelo tempo, fez-me sentir um campeão das piscinas. Eu, em meu primeiro dia, passava por ele fazendo marola. Ia, voltava e ia de novo e Seu Porfílio ainda ia. Ao tirar o rosto da água para respirar, ouvia o professor gritando:

- Seu Porfíliooooo! Bate as pernas, Seu Porfílio!

Seu Porfílio nunca batia as pernas. Só quando era estimulado: dava duas batidinhas e de novo paralisava os membros inferiores. Seu corpo então ia afundando lentamente. Através dos meus óculos que não embaçavam jamais, eu tinha a sensação que Seu Porfílio encostava os pés no chão. Era um misto de natação com caminhada na piscina.Ao longo da aula, fui me cansando mais e mais.

- Faltam mais 8 tiros! Boraaaaa! – gritava o professor com o estímulo típico das academias.

Foi então que dei o merecido valor a Seu Porfílio. A gente só podia dar a largada quando o último chegasse à borda. Portanto, o ritmo tranqüilo do meu colega de raia me permitia respirar um pouco e tentar uma recuperação para o próximo tiro. Enquanto eu inspirava e expirava no ritmo de um morimbundo na UTI, ouvia o maldito professor:

- Vamos, Seu Porfílioooooo! Só falta o senhor, Seu Porfílio!

E vinha Seu Porfílio. Uma braçada, uma pausa. Outra braçada, uma pausa maior. Em alguns instantes parecia que ele se afastava da borda ao invés de se aproximar. Muito bom Seu Porfílio, continue assim, ainda tenho muito o que oxigenar.

- Seu Porfíliooooo! Isso não é fisioterapia, Seu Porfílio! Bate essas pernas! – tentava o professor fazer o valoroso senhor nadar mais rápido. Em vão.

Terminada a aula, saímos da piscina e Dani e Rapha foram tomar banho nos vestiários. Fui em direção à sacola de minha sobrinha onde eu havia colocado meu celular. Virei-a de cabeça para baixo e sacudi até cair todo o conteúdo na mesa. Pensei: engraçado, pra quê Dani trouxe uma camisa enorme dessas e um bermudão? O único celular que caiu não era o meu. Mas parecia com o de Rapha. Já sei: eles pegaram meu telefone para me pregar uma peça. Ou pior: alguém roubou o aparelho. Comecei a ficar preocupado. Peguei o celular que caiu da sacola e comecei a ligar para o meu número. Enquanto eu telefonava, andava de um lado para o outro em volta da piscina. O senhor do bigode e do barrigão olhava para mim fazendo um discreto sinal de cabeça. Entendi como um cumprimento e dei tchau pra ele. Pensei: cara estranho, nem conheço direito. O telefone chamou, chamou e caiu na caixa. Liguei de novo e fui até o vestiário com o aparelho. Gritei pela janela:

- Daniela, meu celular tá aí dentro?

- Tá... – Dani respondeu com o som do chuveiro ao fundo.

Ufa. Retornei para a piscina, juntei toda a roupa que havia largado em cima da mesa, soquei tudo de volta na sacola junto com óculos de natação, toalha, enfim, um monte de coisa. Dei mais uns três empurrões para dentro e, mal fechei a sacola, Mário Bros, o senhor que acenou de rosto para mim, tomou a sacola de minhas mãos e foi indo rapidamente para a porta. Pois é: eu havia pegado a sacola dele, remexido, tirado tudo de dentro, ligado do seu celular, depois socado tudo de volta e ele o tempo todo observando.

Hoje fico imaginando o quanto esse sujeito me achou cara-de-pau. Mas, aprendi duas importantes lições: sempre olhe com muita atenção antes de pôr a mão numa sacola. E nunca, mas nunca mesmo, freqüente uma aula de natação sem a preciosa presença de Seu Porfílio.

18 comentários:

Julia disse...

Que cara de Pauuuuuuu desse menino!!!!! Eu não tomava a sacola não, eu batia logo!!!! hahahahaha
Muito goiaba Peu!!!!
Bisouss

fernanda disse...

hahahahaha, virou rotina visitar teu blog, muito bom rs
beijo e parabéns

Luciana disse...

Rsrsrsrsrs

Tenho certeza que essa foi a primeira e a última aula, então só a primeira lição é válida! Seu Porfílio já é legal só pelo nome.

Beijo e parabéns!!

Anónimo disse...

hahahha
sua cara....
mas fala logo que o povo quer saber....vc voltou ou nao para a natação????
Posso apostar q n....
bjs

Anónimo disse...

hahahha
sua cara....
mas fala logo que o povo quer saber....vc voltou ou nao para a natação????
Posso apostar q n....
bjs

Anónimo disse...

hahahha
sua cara....
mas fala logo que o povo quer saber....vc voltou ou nao para a natação????
Posso apostar q n....
bjs
Flávia Noya

Renata Belmonte disse...

Eu sempre tive birra com o Mario Brós. Por isso, escolhia ser o Luigi, bem mais low profile.
Adoro seu blog, Péu!
Beijos,
Natybel

rueda disse...

caralho, só tu mermo!

auhahahuhaHAhuAhuAhuAHU!

pqp! auhuHAuhAH tu eh muito perdido!

abraçooo

Pedro disse...

Juju: você não era violenta assim... e goiaba me lembra sorvete. Sorvete te lembra alguma coisa?
bjo!

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Nanda: obrigado! É sempre bem-vinda.

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Lu: pois é. Dei um tempo na natação. Pelo menos, enquanto Mário Bros estiver lá.
Bjo e mude o título do seu último post.

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Noya: apostou e ganhou. Onde deposito a grana?
Bjo!

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Naty: que coincidência, eu também tinha birra com Mário Bros. Só não imaginei que um dia ele tivesse comigo. Que bom que você gosta, Naty. Tava sentindo falta de suas visitas.
Bjo!

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Rueda: perdido né? Perdido vai ser você, se não me ajudar naquele assunto.
Abraço!

Roberto Camara Jr. disse...

É realmente o que está escrito no "Me Tire Deste Ócio!!!" O Padwan se transforma no mestre!

Parabéns meu caro!
Fico muito feliz de ter ajudado a encontrar este Blogueiro nato em você..
(Só espero que este tal Blogueiro tenha ao menos usado um KYzinho....
;)

Abraços,

Pedro disse...

Robertinho: meu padrinho! Discordo de uma coisa, não virei mestre coisa nenhuma, continuo seu discípulo. Aliás, discordo de duas: KYzinho?
É cada uma...
Abraço!

Paula disse...

Olá Pedro! Um dia desses vou postar no meu blog uma história parecida com essa...Sou a rainha dos foras e micos.

beijos

Lilian Devlin disse...

E o pior é que pelo mico, vc nem teve coragem de correr atrás do Mário e pedir de volta AS SUAS COISAS( byebye touca e óculos.. snif snif)
Bjs!

Pedro disse...

Paula: com todo o prazer, te passo o cedro e deixo esse título só para você.
Bjo!

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Lilian: tive sorte, não cheguei a colocar meus pertences na sacola dele. As coisas que soquei lá dentro eram do próprio Mário! (O que é pior).
Bjo.

Anónimo disse...

Oi Pedro!
Vc não me conhece,mas te achei Hilário!
Nem sei como vim parar aqui,mas estou super feliz de ter te encontrado.
Bj,
Carla-SP

Dedinhos Nervosos disse...

E vc achando o sujeito estranho! hahahaha

Pedro disse...

Carla: eu é que fico feliz de ter sido encontrado! Sempre será bem-vinda.
Bjo!

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Dedinhos: pois é, não tinha visto por essa ótica. Rs.
Bjo!

Anónimo disse...

Your blog keeps getting better and better! Your older articles are not as good as newer ones you have a lot more creativity and originality now keep it up!